Sim pirilim
Eu fico bem feliz em estar com uma máquina fotográfica em alguns momentos da minha vida. E não estou falando sobre o dia em que um colega bebeu todas e foi lavar o rosto na poça dágua, ou o dia em que a colega da colega quase arrebentou o nariz tentando fechar um guarda-chuva automático, ou então o dia em que a minha cachorra quando ainda filhote, quase se afogou na tijela de água devido ao peso da cabeça maior do que o do corpo.
São situações engraçadas do dia a dia que merecem um registro. Com esse negócio de máquina digital, que você bate a foto e já a publica na net quase que instantaneamente, tudo ficou suscetível ao "flash".
Um dia desses estava no metrô, em um daqueles dias de chuva torrencial, estações super lotadas, calor infernal e toda aquela sensação maravilhosa de quem tem que enfrentar, dali a algumas horas, a professora cachaceira.
Eis que um cara que teve a sorte grande de conquistar um lugar para sentar, tira de sua mochila um livro. Cena muito comum no transporte coletivo de São Paulo.
Bom, normalmente as pessoas lêem Paulo Coelho e Zíbia Gasparetto, a senhorinha rainha e deusa de todas as pessoas que pegam metrô, por que a quantidade de gente que lê "Ninguém é de ninguém", "Tudo tem seu preço", "Quando é preciso voltar", "Tudo vale a pena", "Sem medo de viver", "O Matuto" entre outros é felomenal.
Livro não identificado, e situação até então ignorada pela minha pessoa, em pé e de mau humor. Mas eis que o homem que aparentava uns 30 anos resolve ostentar o seu marcador de páginas. Uma mulher pelada! Recorte de uma dessas revistas bem vagabundas, e que, pelo cabelo da mulher da foto (não menos vagabunda do que a revista), deveria ter sido publicada lá em 1950. Cena tenebrosa. E ele lá, com seu super marcador de páginas erótico (frente e verso) em punho.
A partir desse fato, tentei averiguar qual o livro que o cidadão estava a ler. Por que com certeza não era nenhum ditado por Lucius.
Não consegui ver o nome do livro nem ao menos o autor. Mas pude copiar uma frase do mesmo, só para não perder o final da história.
"Tati levantou e foi até a cozinha. Olhando assim parecia que Zhu era o verdadeiro cafetão dela..."
E voltando ao começo do post, nessas horas eu agradeço por carregar 300 mil coisas em minha bolsa e uma delas ser uma máquina fotográfica. Tirei discretamente o aparato da bolsa, cancelei o flash e mandei ver no marcador de página do cidadão. Quer ver a foto? Acesse o meu FOTOLOG!
